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  • Renata Bento

RELAÇÕES TÓXICAS – QUE AMOR É ESSE?

Atualizado: 20 de nov. de 2020


Foto: Pexels

 

É possível que você esteja vivendo uma relação abusiva ou já tenha escutado que alguém próximo está enredado em um relacionamento tóxico. Muito se tem falado a respeito desse assunto nas mídias.


Parece ser mais comum notar-se essa forma de vínculo entre os casais. Entretanto é importante ressaltar que um relacionamento abusivo pode ocorrer em qualquer tipo de relação humana e não necessariamente entre namorados ou cônjuges, mas também entre pais e filhos, irmãos, amigos, colegas de trabalho, entre outros.


Chamamos de relação tóxica “a forma assimétrica de se relacionar entre duas pessoas”, onde uma delas sofre intensamente com o modo de ser da outra e em nada se modifica a esse respeito. A pessoa sente-se aprisionada e emocionalmente dependente; tornando-se refém de um vínculo empobrecido, pouco criativo, pautado no sofrimento, no desrespeito e na falta de confiança e empatia. É uma trama de difícil digestão mental, com esgotamento de energia emocional que potencializa a fragilidade de uma das partes, devido ao alto grau de conteúdo inconsciente existente na dupla. Nesse cenário, a relação não progride e a possibilidade de gratificação com trocas mais ricas fica abalada.


Um dos envolvidos ativa no outro pontos específicos. Em psicanálise, podemos pensar se tratar de uma dinâmica destrutiva em que a doença de um necessita ou completa a doença do outro: de um lado, há alguém incapaz de sentir os sentimentos e as emoções, isto é, incapacitado de sentir compaixão, remorso ou culpa. Do outro lado, está alguém empático, preocupado, doador e que carrega em si culpa inconsciente, senso de obrigação e responsabilidade para com os outros e com a vida. Mas seu lado frágil à espera de reasseguramento e não consciente está mais agudo. Há uma espécie de relação adicta entre o par tal qual há na de usuários de substância psicoativa.


Trata-se de uma trama complexa encenada por uma dupla onde quem se sente ameaçado não consegue enxergar suas qualidades e potenciais e fica à espera de que o outro o veja, o que não ocorre. As cobranças emocionais são acionadas e vira um círculo vicioso altamente destrutivo e difícil de sair. Exemplificando, é possível pensar numa relação sadomasoquista onde os papéis podem se alternar; o masoquista, que tem prazer em sofrer, busca o estado de humilhação e o sádico, com prazer em torturar e fazer sofrer, se apresenta.


Não é simples conseguir sair de uma relação tóxica, principalmente se existe vínculo econômico que acaba se misturando à dependência emocional. Nesse caso observa-se que as dificuldades mais comuns seriam:

  1. Econômicas: quando o parceiro (a) não é autônomo e independente;

  2. Emocionais e afetivas: relacionadas à dependência emocional - o medo de se sentir desamparado, medo das reações do parceiro, temor de ficar sozinho e crença de que não conseguirá refazer sua vida amorosa. E, como existe um ciclo de calmaria na relação, a pessoa tende a acreditar que o parceiro irá se modificar, ou que ela será capaz de fazê-lo (a) mudar. Há um receio de se deparar com o desconhecido que pode significar o seu autodesconhecimento;

  3. Sociais: a relação abusiva tem por característica o isolamento do casal do seu meio social, afastando-se de amigos e familiares.

  4. Questões jurídicas: existe um nó emocional inconsciente na relação abusiva que cega a vítima que não busca ajuda ou desconhece as questões legais.

As pessoas envolvidas nesse tipo de relacionamento devem buscar apoio de seu círculo social e familiar bem como ajuda psicológica, pois apresentam tendência a experimentar em suas vidas uma dose excessiva de sofrimento que as impossibilita de trocas afetivas mais ricas e verdadeiras e isso está longe de ser o que se busca, que é o amor.

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