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O crescimento de casos de ansiedade e depressão em jovens

  • Foto do escritor: Renata Bento
    Renata Bento
  • 1 de mai.
  • 2 min de leitura

O aumento dos quadros de ansiedade e depressão entre jovens tem se configurado como um fenômeno clínico e social de grande relevância nas últimas décadas. Longe de se tratar apenas de uma maior visibilidade diagnóstica, diferentes estudos epidemiológicos indicam uma elevação consistente no sofrimento psíquico dos jovens.


Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que, globalmente, cerca de 1 em cada 7 adolescentes (entre 10 e 19 anos) apresenta algum transtorno mental, sendo a ansiedade e a depressão as condições mais prevalentes. Ainda segundo a OMS, a depressão figura entre as principais causas de doença e incapacidade entre jovens, e o suicídio já se coloca como uma das principais causas de morte nessa faixa etária.


No contexto brasileiro, levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), indicam um crescimento significativo nos diagnósticos autorreferidos de depressão nos últimos anos, especialmente entre jovens adultos. Paralelamente, estudos vinculados ao Ministério da Saúde mostram aumento na procura por atendimentos relacionados à ansiedade, sobretudo após o período pandêmico, que intensificou experiências de isolamento, insegurança e ruptura de vínculos.


Do ponto de vista psíquico, esse cenário não pode ser reduzido a fatores externos isolados, ainda que estes tenham um peso inegável. A adolescência é, por excelência, um tempo de reorganização subjetiva, marcado por perdas, do corpo infantil, das referências primárias, das identificações estáveis, e pela necessidade de construção de novas formas de estar no mundo. Quando esse trabalho psíquico encontra obstáculos, seja pela fragilidade dos vínculos, pela precariedade dos espaços de escuta ou pela exigência de respostas rápidas e performáticas, o sofrimento pode emergir sob a forma de sintomas ansiosos ou depressivos.


A ansiedade, nesse contexto, frequentemente se apresenta como expressão de um excesso: de demandas, de estímulos, de expectativas que o sujeito não consegue metabolizar. Já a depressão pode apontar para um esvaziamento do sentido, uma dificuldade de investimento libidinal no mundo e nos próprios projetos, muitas vezes associada a experiências de desamparo não simbolizadas.


É importante considerar também o impacto das transformações socioculturais contemporâneas. A intensificação do uso de redes sociais, por exemplo, tem sido associada a maiores índices de comparação social, sentimentos de inadequação e baixa autoestima entre jovens. Estudos internacionais indicam que adolescentes que passam mais de 3 horas diárias em redes sociais apresentam maior risco de desenvolver sintomas de ansiedade e depressão.


No entanto, mais do que buscar explicações lineares, a clínica nos convida a escutar o modo singular como cada jovem organiza seu sofrimento. Os dados estatísticos delineiam um panorama, mas é no encontro clínico que se torna possível compreender o que, para aquele sujeito, está em jogo.


Diante desse cenário, torna-se fundamental a ampliação de espaços de escuta qualificada, que permitam não apenas a identificação precoce dos sintomas, mas sobretudo a elaboração das experiências que lhes dão origem. Sustentar a possibilidade de pensar, em oposição à urgência de agir ou silenciar, pode ser, muitas vezes, o primeiro passo na direção de uma transformação possível.

 
 
 

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