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  • Renata Bento

PAIS & FILHOS

Atualizado: 9 de ago. de 2020

Maternidade – Sentimentos que afloram

Entrevista concedida ao site ‘Antes de Mim’ da Revista Pais & Filhos

1. É importante conversar sobre os problemas/dificuldades que temos? Por quê? 


Guardar os sentimentos não faz com que eles desapareceram. Ter noção das próprias dificuldades e conversar sobre elas é mais do que meio caminho andado para buscar formas de administrar e resolvê-las. A conversa é uma forma de compartilhar e de fazer circular novas ideias e novas perspectivas. Ter uma conversa franca com pessoas de sua confiança é bastante positivo, ajuda a redimensionar o problema.



2. Na maternidade, a mãe se sente muito sozinha. Pôr para fora nesses casos é ainda mais importante? Por quê? 


Quando nasce um bebê, é comum observar que o foco é direcionado ao bebê e não à mãe. Uma mãe bem nutrida afetivamente conseguirá dar muito mais atenção e afeto ao seu bebê. A idealização da maternidade possui um aspecto que não abre espaço para sentir o que é real. Não existe supermulher nem supermãe. É preciso dar espaço para que essa mãe possa falar de suas inseguranças e angústias, sem dar palpites ou fazer interferências. Uma rede de apoio facilita a mãe a encontrar o seu próprio estilo materno. É importante deixá-la entrar em contato com suas dificuldades e poder falar sobre elas.



3. A maternidade traz sentimentos bem particulares. A troca de experiência entre mães (com vivências parecidas) é uma atividade bacana? Por quê? 


Como a maternidade tem muito de idealização, não só da própria maternidade, como também a idealização do bebê, é bem comum observar mães que se desdobram em busca da perfeição.

Encontrar outras mães que, de forma verdadeira, possam trocar experiências boas e ruins, além das fantasias que giram em torno da maternidade, é um alento e poderá ser uma experiência enriquecedora



4. Quais os benefícios de colocar os sentimentos para fora? 


É comum as pessoas terem vergonha de reconhecer que têm sentimentos, sobretudo os que são considerados negativos. Entrar em contato e assumir que se tem todos os sentimentos, sejam eles bons e ruins, evita que não se fuja de si próprio. É uma forma de explorar e reavaliar as emoções. Algumas pessoas podem considerar fraqueza reconhecer seus próprios sentimentos, ao contrário, reconhecer os próprios sentimentos e emoções pode favorecer o amadurecimento. Não é fraqueza demonstrar sentimentos, pois ao saber sobre cada um deles a pessoa torna-se mais forte.



5. No site Antes de Mim, há uma parte para as mães deixarem suas confissões anonimamente. Como você vê esse espaço? E o fato de ser anônimo? 


Observo que essa ferramenta é um canal sensível de comunicação para quem não consegue conversar pessoalmente a respeito da própria dor. O fato de ser anônimo possibilita a exposição do problema e a não exposição pessoal. É uma forma de extravasar o que sente.



6. Outras mães podem reagir aos comentários com “Eu também”. Qual a importância desse sentimento de identificação? Também podem reagir com um “Abraçar” ou “Curtir”. Como vê essa interação? 


É possível que a mãe que esteja se sentindo muito sozinha passe de algum modo a perceber que seu problema não é único e que ela não é menor por se sentir assim, que existem outras pessoas que passam por situações semelhantes.



7. Como uma mãe pode saber que precisa mais do que desabafar e deve procurar ajuda de especialista? 


Há uma diferença entre compartilhar problemas através do desabafo e permanecer nele por longo tempo como se ficasse girando em círculos. Desabafar não é tratar do problema em si; é uma forma de aliviar a tensão momentânea. O especialista, com sua escuta diferenciada, vai acompanhar a pessoa e analisar por outro ângulo. Normalmente a pessoa está tão submersa que não acredita que exista saída para seu sofrimento, mas é nessa conversa que surgirão novas percepções e novos caminhos. O nascimento de um filho representa uma grande transformação na vida de uma mulher; sempre será bom um processo terapêutico para ajudar a elaborar uma série de sentimentos novos que surgem. Entretanto, fica mais urgente se a mãe não consegue reagir de modo positivo com a maternidade, por exemplo, em uma depressão pós-parto.



8. Qual a dica que você daria às mães (de forma geral) para melhorar a relação familiar (seja com marido, filhos, parentes…)?


1. Tempo para si mesma. Percebo que algumas mulheres quando se tornam mães esquecem de si próprias. É preciso arrumar um espaço para praticar coisas que lhe davam prazer antes de ter os filhos, como, por exemplo: ler, passear, cuidar de assuntos pessoais, encontrar amigas, entre outras coisas.


2. A conversa em casa é essencial. Uma família que proporciona tempo e espaço para conversar tem mais chances de favorecer uma melhor integração doméstica.


3. Ser casal e ser pai e mãe. Os casais precisam de tempo juntos, precisam conversar sobre a vida de casal e a vida de pais, que são coisas diferentes, e que podem ser confundidas.


4. Ter a mesma conduta educacional com os filhos. Casais, que também são pais, podem ter divergências, mas é importante que se tenha a mesma conduta com os filhos, evitando deixá-los perdidos e inseguros. Os filhos percebem a relação dos pais e vão buscar se favorecer disso.



9. Você é mãe? Caso sim, pode falar como enxerga o espaço de confissões do site Antes de Mim como mãe e o nome do(s) seu(s) filho(s)?


Sim, tenho dois filhos: João Pedro e Eduardo.

É possível que uma pessoa passe por situações tão difíceis quanto impensáveis. E cada um pode reagir de forma diferente. Dependendo da intensidade do trauma algumas pessoas podem se fechar e guardar esse segredo/dor por muito tempo ou uma vida inteira; isso ocorre por não acreditarem que alguém possa escutar ou por medo, insegurança ou até vergonha de terem passado tal situação ou ainda por receio do julgamento e opinião alheia. Falar sobre essa dor, pode ajudar a ressignificar o trauma e, apesar dele, experimentar a vida com mais alegria.

Vejo como bastante importante o trabalho do site ‘antes de mim’, quando propõe esse espaço de confissão anônima. Escrever sobre sua dor também é uma forma de dizer o que sente, além de poder compartilhar com outras pessoas que também sofrem por algum motivo. Isso pode favorecer uma sensação de solidariedade ao perceber que não está sozinha. Além disso pode ser um primeiro passo para encorajar a busca por ajuda especializada.

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